Entrega de doações no Cores do Amanhã

Famílias isoladas no entorno da população encarcerada no Aníbal Bruno. Este é o cenário de atuação do Espaço Cultural Cores do Amanhã que, durante a pandemia, distribui cestas basicas e materiais de higiene para a comunidade. No radar do grupo também estão as famílias da população aprisionada que, além de terem o Auxílio Emergencial negado, sofrem com a possibilidade de contaminação dentro da unidade prisional. Mesmo com decisões do Judiciário favoráveis ao desencarceramento durante o COVID-19, a realidade continua sendo de superlotação dentro dos presídios e vulnerabilidade fora. Por isso a busca de doações segue firme.

https://nacoesunidas.org/onu-divulga-recomendacao-do-cnj-sobre-prevencao-do-coronavirus-em-prisoes/O trabalho do Cores do Amanhã
por Jouse Barata

O Cores do Amanhã nasceu há 11 anos ao lado de um complexo prisional, o Anibal Bruno, um dos maiores presídios do América Latina. O grupo começou seu trabalho da iniciativa de quatro amigos grafiteiros (Jouse Barata, Boris, Luther e Florim). Eles começaram no pequeno terraço de Dona Lourdes – a mãe de Jouse – apenas com a oficina de desenho/graffiti. 

Em 2009, ganharam seu espaço cultural no bairro. Lá, oferecem hoje mais de 20 oficinas culturais e esportivas de forma gratuita, para as crianças, mulheres do entorno e para jovens de diversos bairros, e famílias. O Cores do Amanhã virou uma grande família solidária e atende de forma itinerante espaços diversos, em várias comunidades. Além disso, atua com um trabalho específico na luta pelo fim da violência contra a mulher, formado por mulheres periféricas e artistas do Hip Hop, o Grupo Cores Femininas.

Hoje com suas atividades suspensas devido à chegada do COVID 19, o grupo atua fortemente nas campanhas de arrecadação de alimentos, distribuição de materiais de higiene pessoal, máscaras e o acolhimento e apoio as famílias com a doação de cestas básicas.

O grupo tem utilizado o boca a boca, assim como a busca por parceiros diversos, como outros coletivos e organizações nessa luta, para ajudar a sua comunidade. O trabalho de arrecadação e distribuição tem atendido os bairros do Sancho, Totó, Cavaleiro, Coqueiral, Jardim São Paulo, Tejipió entre outros no entorno do Complexo Prisional.

Muitas doações chegam de pessoas físicas e outras tem vindo do esforço coletivo e doação de empresas privadas ou vaquinhas. Algumas instituições como A Casa da Mulher do Nordeste, o Centro Sabiá, a Fase, Instituto Galo, Benfeitoria, Seturel, Novo Jeito, Transforma Recife, Porto Social e Visão Mundial, já contribuíram na primeira remessa de doação de cestas básicas. Agora o grupo segue lutando para atender as mais de 650 famílias cadastradas nas suas atividades, além de apoiar as famílias em situação de emergência dentro da comunidade. A problemática da doença atinge o bairro em grande escala, assim como também atinge os encarcerados dentro do presídio e seus familiares aqui fora.

A população aprisionada e a pandemia
por Cristhovão Gonçalves                                  

Segundo o Departamento Penitenciário Nacional, o Brasil em 2019 tinha 748.009 pessoas privadas de liberdade. No estado de Pernambuco, um dos estados que mais prende, 33.641 encarcerados (11.553 são presos provisórios, sem julgamento definitivo).

Em 2020, a pandemia do COVID-19 levou o Judiciário a rever a situação de aprisionamento no País a partir do decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em defesa da saúde pública, a normativa propôs diretrizes desencarceradoras, como a liberdade de presos custodiados em prisões superlotadas ou que cometerem crimes sem violência. Com isso, juízes tiveram que reavaliar decisões a respeito de prisões, levando-se em conta que o espaço prisional é local propício para a disseminação descontrolada do coronavírus e que pode ser letal.

Levando-se em conta que o espaço prisional é local propício à disseminação descontrolada da pandemia de COVID-19 e que pode levar a óbito, a Recomendação nº62 do CNJ trouxe diretrizes desencarceradoras. Mas, mesmo com a crise sanitária, retirar pessoas do cárcere encontra barreiras no autoritarismo do pensamento de agentes da lei e da própria sociedade. Assim, alguns presos conseguiram a substituição de prisões preventivas por medidas como prisão domiciliar e monitoramento eletrônico.

É preciso estar alerta e lembrar de mulheres e homens que continuam vulneráveis nos cárceres. Não há dados objetivos sobre infectados no sistema prisional: 80 detecções no sistema prisional pernambucano foi um alarmante número trazido pela Folha de PE em 15 de maio de 2020. 

É preciso dar suporte a famílias de presos e encarcerados neste delicado momento de nossa história.

Campanha de doações do Cores do Amanhã: seja um parceiro doador!

Doações de Alimentos ou material de higiene
Entregas agendadas no Espaço Cultural Cores do Amanhã
Rua Garota de Ipanema 02 Totó Planalto – Recife PE

*Em caso de compra de donativos através de doação bancária, comunicar via contatos acima.*
Movimento Social e Cultural Cores do Amanhã 
Banco do Brasil
Agência: 4118-1 Conta Corrente – 20.766-7CNPJ: 13.449.687/0001-99

Detalhes da campanha | Instagram | Telefone: (81)9.8876.3593

Sobre os Autores
Jouse Barata é grafiteira e presidenta do Coletivo Cores do Amanhã
Cristhovão Gonçalves é professor da UPE e Advogado Criminal

Isolamento e encarceramento afetam famílias do Totó, no Recife

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One thought on “Isolamento e encarceramento afetam famílias do Totó, no Recife

  1. Trabalho lindo e de muita importância para grande parte da Zona Oeste. Além das artes também oferecem cidadania. Parabéns pra todos e que Deus abençoe.

    Uma correção…Uma das Fundadoras chama-se JOUSE BARATA, Não Josué.

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